Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

SuperTmatik - Quiz Cristianismo Um jogo para saber mais sobre o cristianismo

A PAULUS Editora apresenta, em parceira com Eudática, o jogo SuperTmatik - Quiz Cristianismo.

Este é um jogo de perguntas e resposta que estimula a aquisição, ampliação e consolidação de um conjunto de conhecimentos sobre o cristianismo (a vida e os ensinamentos de Jesus de Nazaré, à luz da Bíblia e da Tradição Cristã).

É uma opção para as escolas, família e principalmente para que na catequese se possa aprender de uma forma divertida temas como a Bíblia, os sacramentos, os mandamentos, a história da Igreja, santos, curiosidades, etc.

Esta nova aposta da PAULUS Editora é um auxiliar pedagógico para catequistas, pais, professores e educadores em geral.

O jogo inclui 54 cartas, num total de 378 perguntas e respectivas respostas e 4 graus de dificuldade. Pode ser jogado desde 1 a 4 jogares com idades compreendidas entre os 9 e os 99 anos.

SuperTmatik - Quiz Cristianismo estará disponível no início de Junho.

Para mais informações: comunicacao@paulus.pt.

Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Alunos de EMRC coloriram Fátima 10º Encontro Nacional Inter-Escolas de 1º ciclo realizado hoje

São mais de 2300 crianças de todo o país que viajaram até Fátima para o 10.º Encontro Nacional Inter-escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico. O encontro deste ano tem como lema «EMRC…comigo podes contar».

«É um cenário inexplicável… Muitas crianças com fitas da cor da sua escola que se juntam em Fátima dando um sim, à semelhança da pastorinha Jacinta», assim explicava o Professor João Ferraz à Agência ECCLESIA. O ponto de união é todos serem alunos de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC).

O encontro serve para partilhar experiências e os alunos fazerem festa. A manhã foi preenchida por uma celebração na Igreja da Santíssima Trindade onde as crianças participaram activamente. Os cânticos e a encenação do Evangelho esteve a cargo dos alunos de EMRC que ali «mostraram que eram capazes de estar sérios, em ambiente de reflexão e silêncio, como nem sempre se pensa…» sublinhava o professor.

Com a alteração à lei no ano passado, considerando EMRC como disciplina curricular do 1º ciclo, cada vez mais as escolas se motivam e os agrupamentos fazem questão em participar nestes encontros. João Ferraz dizia mesmo que «há escolas que marcam esta data no calendário escolar e querem estar presentes.»

«Para nós, professores, é um dia de grande motivação e uma alegria imensa ver estas crianças com quem trabalhamos dia a dia, transformando-se este dia num marco importante» justificava o professor.

A tarde é preenchida por animação cultural por alunos de várias escolas entre canções e a peça de teatro «O feiticeiro de Oz», encenada também por alunos.

Centenário Dr. Garcia Domingues


Celebrou-se no passado dia 18 Maio, os 100 anos do nascimento do ilustre Patrono do nosso Agrupamento de Escolas, o Dr. José Domingos Garcia Domingues.

Notável historiador e arabista nascido em Silves, a 18 de Maio de 1910, desenvolveu a sua acticidade intelectual em vários domínios, nomeadamente pela Filosofia, História, Arte e Literatura.

O amor pela sua terra fê-lo empenhar-se na defesa do seu património cultural, tão importante também nos nossos dias.

(www.garciadomingues.edu.pt)

Bispo do Algarve considera que o Papa deixou «sementes de esperança»

O Bispo do Algarve considera que a visita de Bento XVI a Portugal “foi uma experiência muito gratificante para toda a Igreja Católica em Portugal”, não só pela “presença do Papa” e pelo “modo como decorreu”, mas também pela adesão que “excedeu todas as expectativas”.

“Todos aqueles que pensavam que esta vinda do Papa serviria para confirmar tantos preconceitos existentes a seu respeito, saíram defraudados e não viram confirmadas essas expectativas”, constata D. Manuel Quintas, evidenciando que “as pessoas mudaram a concepção que tinham a respeito do Papa”.

“Muita gente vinha falando do Papa, sem o conhecer e sem ler os seus escritos”, frisa.

O Bispo do Algarve testemunha ainda que gostou de “muitos gestos de proximidade do Papa, de empatia com toda a gente” e considera que “a primeira celebração no Terreiro do Paço contagiou todas as outras”.

D. Manuel Quintas destacou as “importantes palavras” do Papa no encontro com a Pastoral Social e em cada uma das suas homilias.

“São um manancial de que podemos desfrutar”, considera o prelado, para quem Bento XVI “semeou sementes de esperança na Igreja em Portugal e no coração dos portugueses”.

O Bispo da Algarve destaca também os discursos do Presidente da República que diz ter sido “muito feliz nas afirmações que fez”. “Interpretou muito bem o sentido do povo português em relação à ligação estreita histórica com o Santo Padre”, disse.

Samuel Mendonça

Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

Acção Formação Professores EMRC



É já no próximo sábado que inicia a acção de formação creditada (25h =1uc) para professores de EMRC da Diocese do Algarve.
O tema a abordar será “EMRC – Do Manual aos alunos – Aplicação dos manuais de EMRC do 6º e 8º Anos de escolaridade”, tendo como Formador o Dr. Luis Perpétuo, professor Q.A. do grupo 290.

Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Visita de Bento XVI a Portugal 11-14 Maio 2010 Bento XVI, Papa da amizade



Por ser cristão e compreender que a visita de um Papa ao nosso país se traduz num acontecimento extraordinário, tanto para a Igreja Portuguesa como para quase todos, resolvi colocar por escrito a importância da sua vinda até nós.

A ideia de muitas pessoas, inclusive a minha, era de que estava para vir um Papa a Portugal muito marcado pelos tempos de quando era Prefeito para a Doutrina da Fé. Portanto um grande teólogo, filósofo e músico mas também uma figura rígida, fria e austera.

Contudo a sua visita vem deitar por terra qualquer estereótipo que se poderia ter sobre o Papa Bento XVI.

E a sua mensagem começa em plena viagem de Roma-Lisboa, ao dizer com toda a verdade e clareza que a Igreja tem pecados e que quem os comete são pessoas ligadas a ela, necessitando por isso de uma purificação profunda.

Depois as suas primeiras palavras, já no aeroporto de Figo Maduro em Lisboa, começaram por desvendar a sua intelectualidade, mas, ao mesmo tempo, a sensibilidade que demonstrou quando disse que vinha para falar a todos (sem excepção, diga-se, cristãos e não cristãos)e também se referiu a Portugal como pátria amiga.

Como tal, considero Bento XVI o Papa da Amizade porque quase sempre em todos os seus discursos fez questão de fazer referência à amizade, ao amor que os cristãos jovens e adultos devem ter para com Cristo e a Igreja.

Em Lisboa, a celebração do Terreiro do Paço é marcada pelo seu belo discurso onde menciona a importância que Portugal e em especial a cidade de Lisboa tiveram na evangelização e dilatação da Palavra de Deus, pedindo que continuemos a espalhar essa mesma Palavra de Deus anunciada por tantos santos portugueses.

Bento XVI demonstrou igualmente um afecto muito grande pela juventude e o seu à-vontade no pequeno discurso que fez aos jovens nessa noite deixou-nos claramente a ideia de que o Papa se preocupa com a juventude; que o Papa nutre um enorme carinho pelos jovens; que o Papa quer estar com os jovens.

A sua simplicidade continuou quando rompeu com o protocolo de estado e se deslocou em direcção a umas crianças. Mais uma vez é-nos demonstrada a sua amizade pelos que o vêm ver, por aqueles que estiveram horas a fio à sua espera e com esperança de um pequeno gesto da sua parte, como um aceno, um olhar, um sorriso, um cumprimento,…

No encontro com o mundo da cultura, as suas palavras foram de uma beleza encantadora, referindo que a cultura foi ao longo dos tempos marcada pelo Cristianismo. De seguida admitiu que a Igreja necessita de se actualizar e de continuar a proclamar a verdade no mundo da cultura. Fez igualmente referência à alma portuguesa. E cito as palavras de Sua Santidade no discurso que proferiu neste mesmo encontro:

” Prezados amigos, há toda uma aprendizagem a fazer quanto à forma de a Igreja estar no mundo, levando a sociedade a perceber que, proclamando a verdade, é um serviço que a Igreja presta à sociedade, abrindo horizontes novos de futuro, de grandeza e dignidade.”

Fátima é, sem dúvida, o momento alto desta viagem de Bento XVI. Ele, ao ter afirmado que é um peregrino de Fátima, colocou diante de Nossa Senhora todos os problemas do mundo e o sofrimento em que a Igreja se encontra mergulhada. Foram momentos intensos de entrega pessoal a Nossa Senhora.

Mais tarde pede a todos os cristãos que não tenham medo de falarem de Deus, de se assumirem como crentes e de apresentarem sem qualquer vergonha os sinais da Fé.

Depois, já na recitação do Rosário, Bento XVI mostra uma vez mais um gesto belo e de profunda comunhão para com todos os cristão ali presentes. Fez questão de recitar o rosário por meio do terço que lhe fora oferecido pelo bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto.

Bento XVI na homilia do 13 de Maio mostra mais uma vez que a humanidade está em sofrimento e precisa da bênção de Nossa Senhora. Ele que se encontra ali aos seus pés como um simples peregrino juntamente com os demais.

O Papa veio a Fátima rezar por toda a humanidade e de certa forma rezar pela Igreja Católica face aos acontecimentos recentes.

É deste modo que refere que a missão de Fátima encontra-se por concluir. Ou seja, há muito sofrimento e miséria que só é ultrapassável com muito amor e fraternidade.

Relativamente ao encontro que teve com a pastoral Socio-Caritativa, Bento XVI relembra a necessidade de protegermos a Família contra os atentados como o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O Papa também quis fazer umareferência positiva do bom trabalho que a Igreja realiza nas diversas valências tais como as actividades educativas e caritativas, pedindo que as mesmas “sejam completadas com projectos de liberdade que promovam o ser humano, na busca da fraternidade universal”.

No encontro com os Bispos portugueses, o Papa Bento XVI lamenta os cristãos que se envergonham de testemunhar Cristo, nas várias áreas da sociedade, político, económico e da comunicação. Pede ainda que haja um laicado mais maduro capaz de enfrentar as dificuldades.

O Papa pediu ainda aos bispos portugueses que promovam “uma cultura e uma espiritualidade de caridade e de paz”.

Bento XVI agradeceu também a “determinação” com que os Bispos de Portugal o acompanham num momento em que “o Papa precisa de abrir-se ao mistério da Cruz, abraçando-a como única esperança”.

Na homilia feita pelo santo padre na cidade do Porto, reforça mais uma vez a necessidade dos cristãos serem missionários de Cristo neste mundo tão degradado.

Bento XVI diz ainda que nestes últimos anos, alterou-se o quadro antropológico, cultural, social e religioso da humanidade; hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos.”

Portanto é preciso rasgar com tempos antigos e debater novas questões de carácter tão profundo para a Igreja como para a sociedade em geral.

Finalizo o meu pensamento afirmando de modo muito honesto que a imagem do Papa tida pelas pessoas foi-se alterando ao longo desta visita de uma forma positiva e, diria de uma forma muito profunda.

Bento XVI conseguiu conquistar os corações dos fiéis.

Os cristãos começaram a entender Bento XVI como o Papa que está próximo, que sorri, que é amigo e gentil.

Professor Tito Romeu

VIAGEM APOSTÓLICA A PORTUGAL NO 10º ANIVERSÁRIO DA BEATIFICAÇÃO DE JACINTA E FRANCISCO, PASTORINHOS DE FÁTIMA (11-14 DE MAIO DE 2010)


SANTA MISSA
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Grande Praça da Avenida dos Aliados, Porto
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010
Amados Irmãos e Irmãs,
«Está escrito no Livro dos Salmos: […] receba outro o seu cargo. É necessário,
portanto, que […] um se torne connosco testemunha da ressurreição» (Act 1, 20-22).
Assim falou Pedro, lendo e interpretando a palavra de Deus no meio de seus irmãos,
reunidos no Cenáculo depois da Ascensão de Jesus ao Céu. O escolhido foi Matias, que
tinha sido testemunha da vida pública de Jesus e do seu triunfo sobre a morte,
permanecendo-Lhe fiel até ao fim, não obstante a debandada de muitos. A
«desproporção» de forças em campo, que hoje nos espanta, já há dois mil anos admirava
os que viam e ouviam a Cristo. Era Ele apenas, das margens do Lago da Galileia às
praças de Jerusalém, só ou quase só nos momentos decisivos: Ele em união com o Pai,
Ele na força do Espírito. E todavia aconteceu que por fim, pelo mesmo amor que criou o
mundo, a novidade do Reino surgiu como pequena semente que germina na terra, como
centelha de luz que irrompe nas trevas, como aurora de um dia sem ocaso: É Cristo
ressuscitado. E apareceu aos seus amigos, mostrando-lhes a necessidade da cruz para
chegar à ressurreição.
Uma testemunha de tudo isto, procurava Pedro naquele dia. Apresentadas duas, o Céu
designou «Matias, que foi agregado aos onze Apóstolos» (Act 1, 26). Hoje celebramos a
sua memória gloriosa nesta «Cidade Invicta», que se vestiu de festa para acolher o
Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus por me trazer até ao vosso meio, encontrandovos
à volta do altar. A minha cordial saudação para vós, irmãos e amigos da cidade e
diocese do Porto, vindos da província eclesiástica do norte de Portugal e mesmo da
vizinha Espanha, e quantos mais estão em comunhão física ou espiritual com esta nossa
assembleia litúrgica. Saúdo o Senhor Bispo do Porto, Dom Manuel Clemente, que
desejou com grande solicitude a minha visita, me acolheu com grande afecto e se fez
intérprete dos vossos sentimentos no início desta Eucaristia. Saúdo seus Predecessores e
demais Irmãos no episcopado, os sacerdotes, os consagrados e consagradas, e os fiéis
leigos, com um pensamento particular para quantos estão envolvidos na dinamização da
Missão Diocesana e, mais concretamente, na preparação desta minha Visita. Sei que a
mesma pôde contar com a real colaboração do Presidente da Câmara do Porto e de
outras Autoridades públicas, muitas das quais me honram com a sua presença,
aproveitando este momento para as saudar e lhes desejar, a elas e a quantos representam
e servem, os melhores sucessos a bem de todos.
«É necessário que um se torne connosco testemunha da ressurreição»: dizia Pedro. E o
seu Sucessor actual repete a cada um de vós: Meus irmãos e irmãs, é necessário que vos
torneis comigo testemunhas da ressurreição de Jesus. Na realidade, se não fordes vós as
suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar? O cristão é, na
Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado ao mundo. Esta é a missão
inadiável de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo
ressuscitado, para que todas as situações de definhamento e morte se transformem, pelo
Espírito, em ocasiões de crescimento e vida. Para isso, em cada celebração eucarística,
ouviremos mais atentamente a Palavra de Cristo e saborearemos assiduamente o Pão da
sua presença. Isto fará de nós testemunhas e, mais ainda, portadores de Jesus
ressuscitado no mundo, levando-O para os diversos sectores da sociedade e quantos
neles vivem e trabalham, irradiando aquela «vida em abundância» (Jo, 10, 10) que Ele
nos ganhou com a sua cruz e ressurreição e que sacia os mais legítimos anseios do
coração humano.
Nada impomos, mas sempre propomos, como Pedro nos recomenda numa das suas
cartas: «Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder a quem
quer que seja sobre a razão da esperança que há em vós» (1 Ped 3, 15). E todos afinal
no-la pedem, mesmo quem pareça que não. Por experiência própria e comum, bem
sabemos que é por Jesus que todos esperam. De facto, as expectativas mais profundas
do mundo e as grandes certezas do Evangelho cruzam-se na irrecusável missão que nos
compete, pois «sem Deus, o ser humano não sabe para onde ir e não consegue sequer
compreender quem seja. Perante os enormes problemas do desenvolvimento dos povos,
que quase nos levam ao desânimo e à rendição, vem em nosso auxílio a palavra do
Senhor Jesus Cristo que nos torna cientes deste dado fundamental: “Sem Mim, nada
podeis fazer” (Jo 15, 5), e encoraja: “Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo”
(Mt 28, 20)» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 78).
Mas, se esta certeza nos consola e tranquiliza, não nos dispensa de ir ao encontro dos
outros. Temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos
ter, de nosso e seguro: seria morrer a prazo, enquanto presença de Igreja no mundo, que
aliás só pode ser missionária, no movimento expansivo do Espírito. Desde as suas
origens, o povo cristão advertiu com clareza a importância de comunicar a Boa Nova de
Jesus a quantos ainda não a conheciam. Nestes últimos anos, alterou-se o quadro
antropológico, cultural, social e religioso da humanidade; hoje a Igreja é chamada a
enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas,
procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica
convivência dos povos. O campo da missão ad gentes apresenta-se hoje notavelmente
alargado e não definível apenas segundo considerações geográficas; realmente
aguardam por nós não apenas os povos não-cristãos e as terras distantes, mas também os
âmbitos sócio-culturais e sobretudo os corações que são os verdadeiros destinatários da
actividade missionária do povo de Deus.
Trata-se de um mandato cuja fiel realização «deve seguir o mesmo caminho de Cristo: o
caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação própria até à morte, de
que Ele saiu vencedor pela sua ressurreição» (Conc. Ecum. Vaticano II, Decr. Ad
gentes, 5). Sim! Somos chamados a servir a humanidade do nosso tempo, confiando
unicamente em Jesus, deixando-nos iluminar pela sua Palavra: «Não fostes vós que Me
escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto
permaneça» (Jo 15, 16). Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado, por
inadvertência deste ponto! Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à
eficácia da missão: a missão recebemo-la sempre de Cristo, que nos deu a conhecer o
que ouviu a seu Pai, e somos nela investidos por meio do Espírito na Igreja. Como a
própria Igreja, obra de Cristo e do seu Espírito, trata-se de renovar a face da terra a
partir de Deus, sempre e só de Deus!
Queridos irmãos e amigos do Porto, levantai os olhos para Aquela que escolhestes como
padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição. O Anjo da anunciação saudou Maria
como «cheia de graça», significando com esta expressão que o seu coração e a sua vida
estavam totalmente abertos a Deus e, por isso, completamente invadidos pela sua graça.
Que Ela vos ajude a fazer de vós mesmos um «sim» livre e pleno à graça de Deus, para
poderdes ser renovados e renovar a humanidade pela luz e a alegria do Espírito Santo

Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

Dia 14 de Maio


08.00 – Despedida da Casa de Nossa Senhora do Carmo.

08.40 - Partida para o Porto em Helicóptero.
O percurso em “Papamóvel” entre a Casa de Nossa Senhora do Carmo até ao Estádio Municipal de Fátima é o inverso da chegada no dia 12: Casa de Nossa Senhora do Carmo - Avenida D. José Alves Correia da Silva - Rotunda Sul - Estrada de Minde - Estádio Municipal (Eira da Pedra)

Na despedida estarão as mesmas autoridades que estavam à chegada. Na viagem até ao Porto, o helicóptero que transporta o Papa sobrevoa as vinhas do Alto-Douro, Património Mundial da UNESCO.

09.30 – Chegada ao heliporto da Serra do Pilar (Gaia), ao Regimento de Artilharia nº 5. Nesse local estará o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, o presidente da Câmara Municipal de Gaia, Luis Filipe Menezes, a Governadora Civil do Porto, Isabel Santos, o chefe do Estado Maior do Exército, general José Pinto Ramalho, e o Comandante do Regimento, coronel Pedro Calado.

Depois da saudação, Bento XVI segue em “Papamóvel” para a Avenida dos Aliados, Porto, onde vai presidir à missa.

O trajecto é o seguinte: Ponte do Infante - Rua Alexandre Herculano - Rua do Duque de Loulé - Rua General Sousa Dias (Viaduto Duque de Loulé) - Rua Saraiva de Carvalho - Av. Afonso Henriques - Pç. Almeida Garrett - Praça da Liberdade - Av. Aliados

Ao chegar à Avenida, o “Papamóvel” dá uma volta completa à zona, antes de se dirigir para o edifício da Câmara Municipal do Porto, onde Bento XVI é recebido pelo presidente da Câmara, Rui Rio.

Depois de se paramentar numa sala da Câmara Municipal, o Papa dirige-se para o altar, para dar início à celebração, prevista para as 10.15.
Terminado o cântico de entrada, o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, dá as boas-vindas ao Papa. Depois dirige-se para junto de Bento XVI para entregar a oferta da Diocese e receber do Papa uma recordação pela visita apostólica.
Serão oferecidas também algumas prendas a Bento XVI; a Universidade do Porto e a Universidade Católica, por exemplo, entregam dois produtos resultantes da investigação científica.
Na bênção conclusiva, Bento XVI benze também a primeira pedra do Seminário Redemptoris Mater, que ficará instalado no Seminário do Bom Pastor, no Porto.

13.30 – Cerimónia de despedida no Aeroporto Sá Carneiro (Porto).
A viagem é feita em viatura fechada, com o seguinte trajecto:
Av. Aliados - Pç. General Humberto Delgado - R. Heróis e Mártires de Angola - R. Camões - R. S.Brás - R. Cantor Zeca Afonso - R. António Cândido - R. Faria Guimarães - VCI

Na cerimónia de despedida no Aeroporto Internacional Sá Carneiro vão estar o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e outras entidades civis e militares.

Ouvem-se os hinos nacionais (Portugal e Santa Sé), seguindo-se as intervenções de despedida do Papa e do Presidente da República.

14.00 – Partida de avião da TAP para Roma

Capas dos Diários do dia 13 Maio

ENCONTRO COM AS ORGANIZAÇÕES DA PASTORAL SOCIAL DISCURSO DO PAPA BENTO XVI




Igreja da SS.ma Trindade - Fátima Quinta-feira, 13 de Maio de 2010
Queridos irmãos e amigos,
Ouvistes Jesus dizer: «Vai e faz o mesmo» (Lc 10, 37). Recomenda-nos que façamos nosso o estilo do bom samaritano, cujo exemplo acaba de ser proclamado, ao aproximar-nos das situações carentes de ajuda fraterna. E qual é esse estilo? «É “um coração que vê”. Este coração vê onde há necessidade de amor e actua em consequência» (Bento XVI, Enc. Deus caritas est, 31). Assim fez o bom samaritano. Jesus não se limita a recomendar; como ensinam os Santos Padres, o Bom Samaritano é Ele, que Se faz próximo de todos os homens e «derrama sobre as suas feridas o óleo da consolação e o vinho da esperança» (Missal Romano, Prefácio Comum VIII) e os conduz à estalagem, que é a Igreja, onde os faz tratar, confiando-os aos seus ministros e pagando pessoalmente de antemão pela cura. «Vai e faz o mesmo»! O amor incondicionado de Jesus que nos curou há-de converter-se em amor entregue gratuita e generosamente, através da justiça e da caridade, para vivermos com um coração de bom samaritano.
É com grande alegria que me encontro convosco neste lugar bendito que Deus escolheu para recordar à humanidade, através de Nossa Senhora, os seus desígnios de amor misericordioso. Saúdo com grande amizade cada pessoa aqui presente e as entidades a que pertencem, na diversidade de rostos unidos na reflexão das questões sociais e sobretudo na prática da compaixão, voltada para os pobres, os doentes, os presos, os sós e desamparados, as pessoas com deficiência, as crianças e os idosos, os migrantes, os desempregados e os sujeitos a carências que lhes perturbam a dignidade de pessoas livres. Obrigado, Dom Carlos Azevedo, pelo preito de união e fidelidade à Igreja e ao Papa que prestou tanto da parte desta assembleia da caridade como da Comissão Episcopal de Pastoral Social a que preside e que não cessa de estimular esta imensa sementeira de bem-fazer em Portugal inteiro. Cientes, como Igreja, de não poderdes dar soluções práticas a todos os problemas concretos, mas despojados de qualquer tipo de poder, determinados ao serviço do bem comum, estais prontos a ajudar e a oferecer os meios de salvação a todos.
Queridos irmãos e irmãs que operais no vasto mundo da caridade, «Cristo ensina-nos que “Deus é amor” (1 Jo 4, 8) e simultaneamente ensina-nos que a lei fundamental da perfeição humana e, consequentemente, também da transformação do mundo é o novo mandamento do amor. Portanto aqueles que crêem na caridade divina têm a certeza d’Ele que a estrada da caridade está aberta a todos os homens» (Conc. Ecum. Vaticano
II, Const. Gaudium et spes, 38). O cenário actual da história é de crise sócio-económica, cultural e espiritual, pondo em evidência a oportunidade de um discernimento orientado pela proposta criativa da mensagem social da Igreja. O estudo da sua doutrina social, que assume como principal força e princípio a caridade, permitirá marcar um processo de desenvolvimento humano integral que adquira profundidade de coração e alcance maior humanização da sociedade (cf. Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 20). Não se trata de puro conhecimento intelectual, mas de uma sabedoria que dê sabor e tempero, ofereça criatividade às vias cognoscitivas e operativas para enfrentar tão ampla e complexa crise. Que as instituições da Igreja, unidas a todas as organizações não eclesiais, melhorem as suas capacidades de conhecimento e orientações para uma nova e grandiosa dinâmica que conduza para «aquela civilização do amor, cuja semente Deus colocou em todo o povo e cultura» (Ibid., 33).
Na sua dimensão social e política, esta diaconia da caridade é própria dos leigos, chamados a promover organicamente o bem comum, a justiça e a configurar rectamente a vida social (cf. Bento XVI, Enc. Deus caritas est, 29). Consta das vossas conclusões pastorais, resultantes de reflexões recentes, formar uma nova geração de líderes servidores. A atracção de novos agentes leigos para este campo pastoral merecerá certamente especial cuidado dos pastores, atentos ao futuro. Quem aprende de Deus Amor será inevitavelmente pessoa para os outros. Realmente, «o amor de Deus revela-se na responsabilidade pelo outro» (Bento XVI, Enc. Spe salvi, 28). Unidos a Cristo na sua consagração ao Pai, somos tomados pela sua compaixão pelas multidões que pedem justiça e solidariedade e, como o bom samaritano da parábola, esforçamo-nos por dar respostas concretas e generosas.
Muitas vezes, porém, não é fácil conseguir uma síntese satisfatória da vida espiritual com a acção apostólica. A pressão exercida pela cultura dominante, que apresenta com insistência um estilo de vida fundado sobre a lei do mais forte, sobre o lucro fácil e fascinante, acaba por influir sobre o nosso modo de pensar, os nossos projectos e as perspectivas do nosso serviço, com o risco de esvaziá-los da motivação da fé e da esperança cristã que os tinha suscitado. Os pedidos numerosos e prementes de ajuda e amparo que nos dirigem os pobres e marginalizados da sociedade impelem-nos a buscar soluções que estejam na lógica da eficácia, do efeito visível e da publicidade. E todavia a referida síntese é absolutamente necessária para poderdes, amados irmãos, servir Cristo na humanidade que vos espera. Neste mundo dividido, impõe-se a todos uma profunda e autêntica unidade de coração, de espírito e de acção.
No meio de tantas instituições sociais que servem o bem comum, próximas de populações carenciadas, contam-se as da Igreja Católica. Importa que seja clara a sua orientação de modo a assumirem uma identidade bem patente: na inspiração dos seus objectivos, na escolha dos seus recursos humanos, nos métodos de actuação, na qualidade dos seus serviços, na gestão séria e eficaz dos meios. A firmeza da identidade das instituições é um serviço real, com grandes vantagens para os que dele beneficiam. Passo fundamental, além da identidade e unido a ela, é conceder à actividade caritativa cristã autonomia e independência da política e das ideologias (cf. Bento XVI, Enc. Deus caritas est, 31 b), ainda que em cooperação com organismos do Estado para atingir fins comuns.
As vossas actividades assistenciais, educativas ou caritativas sejam completadas com projectos de liberdade que promovam o ser humano, na busca da fraternidade universal.
Aqui se situa o urgente empenhamento dos cristãos na defesa dos direitos humanos, preocupados com a totalidade da pessoa humana nas suas diversas dimensões. Exprimo profundo apreço a todas aquelas iniciativas sociais e pastorais que procuram lutar contra os mecanismos sócio-económicos e culturais que levam ao aborto e que têm em vista a defesa da vida e a reconciliação e cura das pessoas feridas pelo drama do aborto. As iniciativas que visam tutelar os valores essenciais e primários da vida, desde a sua concepção, e da família, fundada sobre o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher, ajudam a responder a alguns dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum. Tais iniciativas constituem, juntamente com muitas outras formas de compromisso, elementos essenciais para a construção da civilização do amor.
Tudo isto bem se enquadra na mensagem de Nossa Senhora que ressoa neste lugar: a penitência, a oração, o perdão que visa a conversão dos corações. Esta é a estrada para se construir a referida civilização do amor, cujas sementes Deus lançou no coração de todo o homem e que a fé em Cristo Salvador faz germinar.

VIAGEM APOSTÓLICA A PORTUGAL NO 10º ANIVERSÁRIO DA BEATIFICAÇÃO DE JACINTA E FRANCISCO, PASTORINHOS DE FÁTIMA (11-14 DE MAIO DE 2010)



SANTA MISSA
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Esplanada do Santuário de Fátima Quinta-feira, 13 de Maio de 2010
Queridos peregrinos,
«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9). Assim começava a primeira leitura desta Eucaristia, cujas palavras encontram uma realização admirável nesta devota assembleia aos pés de Nossa Senhora de Fátima. Irmãs e irmãos muito amados, também eu vim como peregrino a Fátima, a esta «casa» que Maria escolheu para nos falar nos tempos modernos. Vim a Fátima para rejubilar com a presença de Maria e sua materna protecção. Vim a Fátima, porque hoje converge para aqui a Igreja peregrina, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelização e sacramento de salvação. Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos. Enfim, com os mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lúcia, vim a Fátima para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que «amo», de que a Igreja, de que os sacerdotes «amam» Jesus e n’Ele desejam manter fixos os olhos ao terminar este Ano Sacerdotal, e para confiar à protecção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus.
São a linhagem que o Senhor abençoou… Linhagem que o Senhor abençoou és tu, amada diocese de Leiria-Fátima, com o teu Pastor Dom António Marto, a quem agradeço a saudação inicial e todas as atenções com que me cumulou nomeadamente através de seus colaboradores neste santuário. Saúdo o Senhor Presidente da República e demais autoridades ao serviço desta Nação gloriosa. Idealmente abraço todas as dioceses de Portugal, aqui representadas pelos seus Bispos, e confio ao Céu todos os povos e nações da terra. Em Deus, estreito ao coração todos os seus filhos e filhas, especialmente quantos vivem atribulados ou abandonados, no desejo de comunicar-lhes aquela esperança grande que arde no meu coração e que, em Fátima, se faz encontrar mais sensivelmente. A nossa grande esperança lance raízes na vida de cada um de vós, amados peregrinos aqui presentes, e de quantos estão em comunhão connosco através dos meios de comunicação social.
Sim! O Senhor, a nossa grande esperança, está connosco; no seu amor misericordioso, oferece um futuro ao seu povo: um futuro de comunhão consigo. Tendo experimentado a misericórdia e consolação de Deus que não o abandonara no fatigante caminho do regresso do exílio de Babilónia, o povo de Deus exclama: «Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus» (Is 61, 10). Filha excelsa deste povo é a Virgem
Mãe de Nazaré, a qual, revestida de graça e docemente surpreendida com a gestação de Deus que se estava operando no seu seio, faz igualmente sua esta alegria e esta esperança no cântico do Magnificat: «O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador». Entretanto não se vê como privilegiada no meio de um povo estéril, antes profetiza-lhe as doces alegrias duma prodigiosa maternidade de Deus, porque «a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem» (Lc 1, 47.50).
Prova disto mesmo é este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora «vinda do Céu», como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana. Uma experiência de graça que os tornou enamorados de Deus em Jesus, a ponto da Jacinta exclamar: «Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas não me queimo». E o Francisco dizia: «Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 40 e 127).
Irmãos, ao ouvir estes inocentes e profundos desabafos místicos dos Pastorinhos, poderia alguém olhar para eles com um pouco de inveja por terem visto ou com a desiludida resignação de quem não teve essa sorte mas insiste em ver. A tais pessoas, o Papa diz como Jesus: «Não andareis vós enganadas, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?» (Mc 12, 24). As Escrituras convidam-nos a crer: «Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29), mas Deus – mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio (cf. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11) – tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos. Para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma (cf. Card. Joseph Ratzinger, Comentário teológico da Mensagem de Fátima, ano 2000). Sim! Deus pode alcançar-nos, oferecendo-Se à nossa visão interior.
Mais ainda, aquela Luz no íntimo dos Pastorinhos, que provém do futuro de Deus, é a mesma que se manifestou na plenitude dos tempos e veio para todos: o Filho de Deus feito homem. Que Ele tem poder para incendiar os corações mais frios e tristes, vemo-lo nos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32). Por isso a nossa esperança tem fundamento real, apoia-se num acontecimento que se coloca na história e ao mesmo tempo excede-a: é Jesus de Nazaré. E o entusiasmo que a sua sabedoria e poder salvífico suscitavam nas pessoas de então era tal que uma mulher do meio da multidão – como ouvimos no Evangelho – exclama: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Contudo Jesus observou: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11, 27. 28). Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo.
«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9) com uma esperança inabalável e que frutifica num amor que se sacrifica pelos outros, mas não sacrifica os outros; antes – como ouvimos na segunda leitura – «tudo desculpa, tudo acredita, tudo espera, tudo suporta» (1 Cor 13, 7). Exemplo e estímulo são os Pastorinhos, que fizeram da sua vida uma doação a Deus e uma partilha com os outros por amor de Deus. Nossa Senhora ajudou-os a abrir o coração à universalidade do amor. De modo particular, a beata Jacinta mostrava-se incansável na partilha com os pobres e no sacrifício pela conversão dos pecadores. Só com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civilização do Amor e da Paz.
Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: «Onde está Abel, teu irmão? […] A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim» (Gn 4, 9). O homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo… Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).
Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima

Dia 13 de Maio


09h43 - Saída da Casa do Carmo, em “Papamóvel”, para a Capelinha das Aparições onde se paramentará. Aí integra-se na procissão.

10.00Missa na esplanada do Santuário. Na presidência da celebração, Bento XVI será ladeado por D. António Marto e pelo Cardeal Tarcisio Bertone.
O Bispo de Leiria-Fátima dá as boas vindas ao Papa.
Depois dirige-se para junto dele, para receber uma oferta como recordação pela visita apostólica.
A homilia da missa é feita por Bento XVI.
Nos ritos finais, Bento XVI saúda e benze os doentes junto à Colunata Norte. No final da celebração, o Papa cumprimentará o Presidente da República à entrada da Basílica.
Visitará depois o túmulo dos pastorinhos, no que será acompanhado pelo bispo de Leiria-Fátima e pelo Reitor do Santuário de Fátima.
Após a visita, dirige-se, em “Papamóvel”, para a Casa do Carmo.

13.00 – Almoço com os bispos de Portugal e com o séquito papal.

Mais tarde, mais uma vez de “Papamóvel”, dirige-se para a Igreja da Santíssima Trindade, onde, às 17.00, preside ao encontro com os membros das organizações da Pastoral Social.
O encontro começa com uma saudação do Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, D. Carlos Azevedo, a que se segue a celebração da Palavra e um discurso de Bento XVI.
As preces serão feitas por Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome. Após o discurso aos agentes da Pastoral Social, o Papa faz a bênção da primeira pedra da «Unidade de Cuidados Continuados Bento XVI» que a União das Misericórdias Portuguesas irá construir em Fátima.

Antes de saída da Igreja da Santíssima Trindade, Bento XVI cumprimentará 15 figuras ligadas às organizações da Pastoral Social.
Nessa comitiva estará incluída, entre outros, a Ministra da Saúde, Ana Jorge, o Presidente da Cáritas, Eugénio da Fonseca, o Presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), Pe. Lino Maia, e o Presidente da União das Misericórdias, Manuel Lemos.

O encontro é animado pelo Grupo Figo Maduro, constituído por mãe e quatro filhos e que já tinha cantado para João Paulo II em 2000, no dia 12 de Maio, quando o Papa de então chegou ao aeroporto militar de Figo Maduro, que acabou por dar o nome ao grupo.

No final regressa de “Papamóvel” à Casa de Nossa Senhora do Carmo.

18.45Encontro dos bispos de Portugal com Bento XVI na Casa de Nossa Senhora do Carmo.
O encontro é aberto pelo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, que dirige uma saudação ao Papa.
Os bispos portugueses oferecem ao Papa um conjunto de 20 aguarelas, da autoria de Avelino Leite.
As aguarelas têm como temática os mistérios do Rosário.
No encontro, Bento XVI faz o terceiro e último discurso de Fátima.

Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Encontro com sacerdotes e religiosos 12 de Maio


Bento XVI pediu fidelidade e “lealdade à própria vocação” a todos os sacerdotes, religiosos e religiosas da Igreja Católica.

Num encontro com membros do clero e institutos de vida consagrada, na Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima, o Papa quis “abrir o coração” e pedir “um amor coerente, verdadeiro e profundo” por Jesus Cristo.

“A fidelidade no tempo é o nome do amor”, acrescentou.

Bento XVI quis “exprimir o apreço e reconhecimento” de toda a Igreja aos presentes, pelo seu “testemunho muitas vezes silencioso e nada fácil”.

“Obrigado pela vossa fidelidade ao Evangelho e à Igreja”, disse ainda.

Aos padres, o Papa recomendou que não se dediquem a “actividades que não concordem integralmente com o que é próprio de um ministro de Jesus Cristo”.

Presentes estavam também diáconos, seminaristas e membros de movimentos e novas comunidades eclesiais.

O Papa destacou a importância da opção pela vida “especial de consagração”, como “memória evangélica para o Povo de Deus”.

ORAÇÃO DE BENTO XVI NA CAPELINHA DAS APARIÇÕES FÁTIMA 12 DE MAIO DE 2010



Senhora Nossa
e Mãe de todos os homens e mulheres,
aqui estou como um filho
que vem visitar sua Mãe
e o faz na companhia
de uma multidão de irmãos e irmãs.
Como sucessor de Pedro,
a quem foi confiada a missão
de presidir ao serviço
da caridade na Igreja de Cristo
e de confirmar a todos na fé
e na esperança,
quero apresentar ao vosso
Coração Imaculado
as alegrias e esperanças
e também os problemas e as dores
de cada um destes vossos filhos e filhas,
que se encontram na Cova da Iria
ou nos acompanham de longe.
Mãe amabilíssima,
Vós conheceis cada um pelo seu nome,
com o seu rosto e a sua história,
e a todos quereis com
a benevolência maternal
que brota do próprio coração de Deus Amor.
A todos confio e consagro a Vós,
Maria Santíssima,
Mãe de Deus e nossa Mãe.
Cantores e assembleia: Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 1)
Santo Padre:
O Venerável Papa João Paulo II,
que Vos visitou três vezes, aqui em Fátima,
e agradeceu a «mão invisível»
que o libertou da morte
no atentado de treze de Maio,
na Praça de São Pedro, há quase trinta anos,
quis oferecer ao Santuário de Fátima
uma bala que o feriu gravemente
e foi posta na vossa coroa de Rainha da Paz.
É profundamente consolador
saber que estais coroada
não só com a prata
e o oiro das nossas alegrias e esperanças,
mas também com a bala
das nossas preocupações e sofrimentos.
Agradeço, Mãe querida,
as orações e os sacrifícios
que os Pastorinhos
de Fátima faziam pelo Papa,
levados pelos sentimentos
que lhes infundistes nas aparições.
Agradeço também todos aqueles que,
em cada dia,
rezam pelo Sucessor de Pedro
e pelas suas intenções
para que o Papa seja forte na fé,
audaz na esperança e zeloso no amor.
Cantores e assembleia: Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 2)
Santo Padre:
Mãe querida de todos nós,
entrego aqui no vosso Santuário de Fátima,
a Rosa de Oiro
que trouxe de Roma,
como homenagem de gratidão do Papa
pelas maravilhas que o Omnipotente
tem realizado por Vós
no coração de tantos que peregrinam
a esta vossa casa maternal.
Estou certo que os Pastorinhos de Fátima,
os Beatos Francisco e Jacinta
e a Serva de Deus Lúcia de Jesus
nos acompanham nesta hora de prece e de júbilo.
Cantores e assembleia: Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 5)

ENCONTRO COM O MUNDO DA CULTURA CENTRO CULTURAL DE BELÉM 12 MAIO 2010 DISCURSO DO SANTO PADRE


Venerados Irmãos no Episcopado,
Distintas Autoridades,
Ilustres Cultores do Pensamento, da Ciência e da Arte,
Queridos amigos,
Sinto grande alegria em ver aqui reunido o conjunto multiforme da cultura portuguesa, que vós tão dignamente representais: Mulheres e homens empenhados na pesquisa e edificação dos vários saberes. A todos testemunho a mais alta amizade e consideração, reconhecendo a importância do que fazem e do que são. Às prioridades nacionais do mundo da cultura, com benemérito incentivo das mesmas, pensa o Governo, aqui representado pela Senhora Ministra da Cultura, para quem vai a minha deferente e grata saudação. Obrigado a quantos tornaram possível este nosso encontro, nomeadamente à Comissão Episcopal da Cultura com o seu Presidente, Dom Manuel Clemente, a quem agradeço as expressões de cordial acolhimento e a apresentação da realidade polifónica da cultura portuguesa, aqui representada por alguns dos seus melhores protagonistas, de cujos sentimentos e expectativas se fez porta-voz o cineasta Manoel de Oliveira, de veneranda idade e carreira, a quem saúdo com admiração e afecto juntamente com vivo reconhecimento pelas palavras que me dirigiu, deixando transparecer ânsias e disposições da alma portuguesa no meio das turbulências da sociedade actual.
De facto, a cultura reflecte hoje uma «tensão», que por vezes toma formas de «conflito», entre o presente e a tradição. A dinâmica da sociedade absolutiza o presente, isolando-o do património cultural do passado e sem a intenção de delinear um futuro. Mas uma tal valorização do «presente» como fonte inspiradora do sentido da vida, individual e em sociedade, confronta-se com a forte tradição cultural do Povo Português, muito marcada pela milenária influência do cristianismo, com um sentido de responsabilidade global, afirmada na aventura dos Descobrimentos e no entusiasmo missionário, partilhando o dom da fé com outros povos. O ideal cristão da universalidade e da fraternidade inspiravam esta aventura comum, embora a influência do iluminismo e do laicismo se tivesse feito sentir também. A referida tradição originou aquilo a que podemos chamar uma «sabedoria», isto é, um sentido da vida e da história, de que fazia parte um universo ético e um «ideal» a cumprir por Portugal, que sempre procurou relacionar-se com o resto do mundo.
A Igreja aparece como a grande defensora de uma sã e alta tradição, cujo rico contributo coloca ao serviço da sociedade; esta continua a respeitar e a apreciar o seu serviço ao bem comum, mas afasta-se da referida «sabedoria» que faz parte do seu património. Este «conflito» entre a tradição e o presente exprime-se na crise da verdade, pois só esta pode orientar e traçar o rumo de uma existência realizada, como indivíduo e como povo. De facto, um povo, que deixa de saber qual é a sua verdade, fica perdido nos labirintos do tempo e da história, sem valores claramente definidos, sem objectivos grandiosos claramente enunciados. Prezados amigos, há toda uma aprendizagem a fazer quanto à forma de a Igreja estar no mundo, levando a sociedade a perceber que, proclamando a verdade, é um serviço que a Igreja presta à sociedade, abrindo horizontes novos de
futuro, de grandeza e dignidade. Com efeito, a Igreja «tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do ser humano, da sua dignidade, da sua vocação. […] A fidelidade à pessoa humana exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da possibilidade dum desenvolvimento humano integral. É por isso que a Igreja a procura, anuncia incansavelmente e reconhece em todo o lado onde a mesma se apresente. Para a Igreja, esta missão ao serviço da verdade é irrenunciável» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 9). Para uma sociedade composta na sua maioria por católicos e cuja cultura foi profundamente marcada pelo cristianismo, é dramático tentar encontrar a verdade sem ser em Jesus Cristo. Para nós, cristãos, a Verdade é divina; é o «Logos» eterno, que ganhou expressão humana em Jesus Cristo, que pôde afirmar com objectividade: «Eu sou a verdade» (Jo 14, 6). A convivência da Igreja, na sua adesão firme ao carácter perene da verdade, com o respeito por outras «verdades» ou com a verdade dos outros é uma aprendizagem que a própria Igreja está a fazer. Nesse respeito dialogante, podem abrir-se novas portas para a comunicação da verdade.
«A Igreja – escrevia o Papa Paulo VI – deve entrar em diálogo com o mundo em que vive. A Igreja faz-se palavra, a Igreja torna-se mensagem, a Igreja faz-se diálogo» (Enc. Ecclesiam suam, 67). De facto, o diálogo sem ambiguidades e respeitoso das partes nele envolvidas é hoje uma prioridade no mundo, à qual a Igreja não se subtrai. Disso mesmo dá testemunho a presença da Santa Sé em diversos organismos internacionais, nomeadamente no Centro Norte-Sul do Conselho da Europa instituído há 20 anos aqui em Lisboa, tendo como pedra angular o diálogo intercultural a fim de promover a cooperação entre a Europa, o Sul do Mediterrâneo e a África e construir uma cidadania mundial fundada sobre os direitos humanos e as responsabilidades dos cidadãos, independentemente da própria origem étnica e adesão política, e respeitadora das crenças religiosas. Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza.
Esta é uma hora que reclama o melhor das nossas forças, audácia profética, capacidade renovada de «novos mundos ao mundo ir mostrando», como diria o vosso Poeta nacional (Luís de Camões, Os Lusíades, II, 45). Vós, obreiros da cultura em todas as suas formas, fazedores do pensamento e da opinião, «tendes, graças ao vosso talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e colectiva, de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano. […] E não tenhais medo de vos confrontar com a fonte primeira e última da beleza, de dialogar com os crentes, com quem, como vós, se sente peregrino no mundo e na história rumo à Beleza infinita» (Discurso, no meu encontro com os Artistas, 21/XI/2009).
Foi para «pôr o mundo moderno em contacto com as energias vivificadoras e perenes do Evangelho» (João XXIII, Const. ap. Humanae salutis, 3) que se fez o Concílio Vaticano II, no qual a Igreja, a partir de uma renovada consciência da tradição católica, assume e discerne, transfigura e transcende as críticas que estão na base das forças que caracterizaram a modernidade, ou seja, a Reforma e o Iluminismo. Assim a Igreja acolhia e recriava por si mesma, o melhor das instâncias da modernidade, por um lado, superando-as e, por outro, evitando os seus erros e becos sem saída. O evento conciliar
colocou as premissas de uma autêntica renovação católica e de uma nova civilização – a «civilização do amor» - como serviço evangélico ao homem e à sociedade.
Caros amigos, a Igreja sente como sua missão prioritária, na cultura actual, manter desperta a busca da verdade e, consequentemente, de Deus; levar as pessoas a olharem para além das coisas penúltimas e porem-se à procura das últimas. Convido-vos a aprofundar o conhecimento de Deus tal como Ele Se revelou em Jesus Cristo para a nossa total realização. Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza. Interceda por vós Santa Maria de Belém, venerada há séculos pelos navegadores do oceano e hoje pelos navegantes do Bem, da Verdade e da Beleza.

Capas dos Diários do dia 12 Maio

Terça-feira, 11 de Maio de 2010

Homilia do Santo Padre em Lisboa


Queridos Irmãos e Irmãs, Jovens amigos!
«Ide fazer discípulos de todas as nações, […] ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Estas palavras de Cristo ressuscitado revestem-se de um significado particular nesta cidade de Lisboa, donde partiram em grande número gerações e gerações de cristãos – bispos, sacerdotes, consagrados e leigos, homens e mulheres, jovens e menos jovens –, obedecendo ao apelo do Senhor e armados simplesmente com esta certeza que lhes deixou: «Eu estou sempre convosco». Glorioso é o lugar conquistado por Portugal entre as nações pelo serviço prestado à dilatação da fé: nas cinco partes do mundo, há Igrejas locais que tiveram origem na missionação portuguesa.
Nos tempos passados, a vossa saída em demanda de outros povos não impediu nem destruiu os vínculos com o que éreis e acreditáveis, mas, com sabedoria cristã, pudestes transplantar experiências e particularidades abrindo-vos ao contributo dos outros para serdes vós próprios, em aparente debilidade que é força. Hoje, participando na edificação da Comunidade Europeia, levai o contributo da vossa identidade cultural e religiosa. De facto, Jesus Cristo, assim como Se uniu aos discípulos a caminho de Emaús, assim também caminha connosco segundo a sua promessa: «Estou sempre convosco, até ao fim dos tempos». Apesar de ser diferente da dos Apóstolos, temos também nós uma verdadeira e pessoal experiência da presença do Senhor ressuscitado. A distância dos séculos é superada e o Ressuscitado oferece-Se vivo e operante, por nós, no hoje da Igreja e do mundo. Esta é a nossa grande alegria. No rio vivo da Tradição eclesial, Cristo não está a dois mil anos de distância, mas está realmente presente entre nós e dá-nos a Verdade, dá-nos a luz que nos faz viver e encontrar a estrada para o futuro.
Presente na sua Palavra, na assembleia do Povo de Deus com os seus Pastores e, de modo eminente, no sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, Jesus está connosco aqui. Saúdo o Senhor Cardeal-Patriarca de Lisboa, a quem agradeço as calorosas palavras que me dirigiu, no início da celebração, em nome da sua comunidade que me acolhe e que abraço nos seus quase dois milhões de filhos e filhas; a todos vós aqui presentes – amados Irmãos no episcopado e no sacerdócio, prezadas mulheres e homens consagrados e leigos comprometidos, queridas famílias e jovens, baptizados e catecúmenos – dirijo a minha saudação fraterna e amiga, que estendo a quantos estão unidos connosco através da rádio e da televisão.
Sentidamente agradeço a presença do Senhor Presidente da República e demais Autoridades, com menção particular do Presidente da Câmara de Lisboa que teve a amabilidade de honrar-me com a entrega das chaves da cidade.
Lisboa amiga, porto e abrigo de tantas esperanças que te confiava quem partia e pretendia quem te visitava, gostava hoje de usar as chaves que me entregas para alicerçar as tuas esperanças humanas na Esperança divina. Na leitura há pouco proclamada da Epístola de São Pedro, ouvimos dizer: «Eu vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa. E quem nela acreditar não será confundido». E o Apóstolo explica: «Aproximai-vos do Senhor. Ele é a pedra viva, rejeitada, é certo, pelos homens, mas aos olhos de Deus escolhida e preciosa» (1 Pd 2, 6.4).
Irmãos e irmãs, quem acreditar em Jesus não será confundido: é Palavra de Deus, que não Se engana
nem pode enganar. Palavra confirmada por uma «multidão que ninguém pode contar e provém de todas as nações, tribos, povos e línguas», e que o autor do Apocalipse viu vestida de «túnicas brancas e com palmas na mão» (Ap 7, 9). Nesta multidão incontável, não estão apenas os Santos Veríssimo, Máxima e Júlia, aqui martirizados na perseguição de Diocleciano, ou São Vicente, diácono e mártir, padroeiro principal do Patriarcado; Santo António e São João de Brito que daqui partiram para semear a boa semente de Deus noutras terras e gentes, ou São Nuno de Santa Maria que, há pouco mais de um ano, inscrevi no livro dos Santos. Mas é formada pelos «servos do nosso Deus» de todos os tempos e lugares, em cuja fronte foi traçado o sinal da cruz com «o sinete de marcar do Deus vivo» (Ap 7, 2): o Espírito Santo. Trata-se do rito inicial cumprido sobre cada um de nós no sacramento do Baptismo, pelo qual a Igreja dá à luz os «santos».
Sabemos que não lhe faltam filhos insubmissos e até rebeldes, mas é nos Santos que a Igreja reconhece os seus traços característicos e, precisamente neles, saboreia a sua alegria mais profunda. Irmana-os, a todos, a vontade de encarnar na sua existência o Evangelho, sob o impulso do eterno animador do Povo de Deus que é o Espírito Santo. Fixando os seus Santos, esta Igreja local concluiu justamente que a prioridade pastoral hoje é fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia, na política. Muitas vezes preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista. Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?
Para isso é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano. A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja. Portanto a nossa fé tem fundamento, mas é preciso que esta fé se torne vida em cada um de nós. Assim há um vasto esforço capilar a fazer para que cada cristão se transforme em testemunha capaz de dar conta a todos e sempre da esperança que o anima (cf. 1 Pd 3, 15): só Cristo pode satisfazer plenamente os anseios profundos de cada coração humano e responder às suas questões mais inquietantes acerca do sofrimento, da injustiça e do mal, sobre a morte e a vida do Além.
Queridos Irmãos e jovens amigos, Cristo está sempre connosco e caminha sempre com a sua Igreja, acompanha-a e guarda-a, como Ele nos disse: «Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Nunca duvideis da sua presença! Procurai sempre o Senhor Jesus, crescei na amizade com Ele, comungai-O. Aprendei a ouvir e a conhecer a sua palavra e também a reconhecê-Lo nos pobres. Vivei a vossa vida com alegria e entusiasmo, certos da sua presença e da sua amizade gratuita, generosa, fiel até à morte de cruz. Testemunhai a alegria desta sua presença forte e suave a todos, a começar pelos da vossa idade. Dizei-lhes que é belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-Lo. Com o vosso entusiasmo, mostrai que, entre tantos modos de viver que hoje o mundo parece oferecer-nos – todos aparentemente do mesmo nível –, só seguindo Jesus é que se encontra o verdadeiro sentido da vida e, consequentemente, a alegria verdadeira e duradoura.
Buscai diariamente a protecção de Maria, a Mãe do Senhor e espelho de toda a santidade. Ela, a Toda Santa, ajudar-vos-á a ser fiéis discípulos do seu Filho Jesus Cristo.


Dia 12 Maio

Dia 12 de Maio

07.30 – Celebração, em privado, na Nunciatura Apostólica.

09.45 - O Papa, em viatura fechada, segue da Nunciatura para o Centro Cultural de Belém, cumprindo o seguinte trajecto:
Avenida Luís Bívar - Rua Pinheiro Chagas - Avenida Fontes Pereira de Melo - Marquês de Pombal - Avenida Eng. Duarte Pacheco - Avenida das Descobertas - Avenida do Restelo - Avenida Torre de Belém - Avenida da Índia - CCB.

10.00 – Encontro com agentes da cultura no Centro Cultural de Belém (Lisboa).
Bento XVI é conduzido ao palco pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, onde é recebido por D. Manuel Clemente, Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, e pela Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

No palco vão estar Bento XVI (sentado numa cadeira de meados de 1700 em madeira dourada e veludo carmesim que pertence ao Museu do Patriarcado de Lisboa, feita para o D. José Manoel Câmara, segundo Cardeal Patriarca de Lisboa), o secretário de Estado do Vaticano, D. Tarcisio Bertone, D. José Policarpo, D. Manuel Clemente e Gabriela Canavilhas.

Em duas filas laterais, com cinco cadeiras cada, vão estar o cineasta Manoel Oliveira, que fará uma intervenção, o padre Tolentino Mendonça, director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, a maestrina Joana Carneiro, o presidente do Centro Nacional de Cultura e presidente do Tribunal de Contas, Guilherme de Oliveira Martins, a escultora Graça Costa Cabral, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e reitor da Universidade Nova, António Rendas, o subdirector da Cinemateca, o escritor e crítico literário Pedro Mexia, o neurocirurgião, escritor e membro do Conselho de Estado João Lobo Antunes, a actriz Glória de Matos e o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Rui Vilar.

O Coro da Gulbenkian, sob a regência do maestro Jorge Matta, é o responsável por três momentos musicais, com duas obras de Francisco António Almeida, “O quam suavis” (excerto) e “Magnificat” (excerto), e de Diogo Dias Melgás, “Recordare Virgo”.

O encontro inclui uma saudação de D. Manuel Clemente, durante a qual oferece ao Papa uma obra de ourivesaria criada por Siza Vieira: um ovo, em prata e biscuit, que se abre para mostrar uma pomba, símbolo do espírito.
O mais idoso cineasta em actividade em todo o mundo, Manoel de Oliveira, foi a personalidade convidada para fazer uma intervenção, terminando a sessão com um discurso de Bento XVI.
Um grupo seleccionado de participantes vai depois apresentar cumprimentos ao Papa.

A organização do evento convidou para os cumprimentos Emília Nadal (escultora), António Caeiro (tradutor), Manuel Braga da Cruz (reitor da Universidade Católica), Eurico Carrapatoso (compositor), Alice Vieira (escritora), José Carlos Seabra Pereira (director da Revista Estudos, do Centro Académico de Democracia Cristã, de Coimbra), Pedro Calapez (artista plástico), Henrique Leitão (professor da Faculdade de Ciências da Universidade Nova de Lisboa), Alberto Caetano (arquitecto) e Carminho Rebello de Andrade (fadista).

Para estarem presentes no encontro e participarem na cerimónia de cumprimentos foram também convidados representantes das cinco principais confissões religiosas em Portugal: Comunidade Judaica (José Carp), Comunidade Hindu (Ashok Hansraj), Aliança Evangélica Portuguesa (Fernando Soares Loja), Comunidade Islâmica (Abdool Vakil) e Comunidade Ismaelita (Nazimudin Ahmad Mahomed).

11.00 - Dirige-se, em viatura fechada, para a Nunciatura Apostólica, fazendo o percurso inverso do da manhã: CCB - Avenida da Índia - Avenida Torre de Belém - Avenida do Restelo - Avenida das Descobertas - Avenida Eng. Duarte Pacheco - Marquês de Pombal - Avenida Fontes Pereira de Melo - Rua Pinheiro Chagas - Avenida Luís Bívar.

12.00 – Bento XVI recebe o Primeiro-Ministro, José Sócrates e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luis Amado, na Nunciatura.
Neste encontro estará também o Cardeal Tarcisio Bertone.

15.45 – Despedida da Nunciatura Apostólica.

16.00 - Viagem, em “Papamóvel”, para o Aeroporto.
O percurso será também o inverso do efectuado no dia da chegada: Avenida Luís Bívar - Rua Pinheiro Chagas - Avenida Fontes Pereira de Melo - Saldanha - Avenida da República - Entrecampos – Avenida dos Estados Unidos da América – Avenida Gago Coutinho – Rotunda do Relógio – Alameda das Comunidades Portuguesas – Praça do Aeroporto.
Junto à Nunciatura estará uma escolta a cavalo dos alunos do Colégio Militar.

16.40Partidas dos três helicópteros de Lisboa até Fátima. O Merlin que transporta o Papa é o primeiro a deslocar, fazendo um desvio para sobrevoar o Santuário de Cristo-Rei, onde será saudado por crianças da diocese de Setúbal.
No helicóptero papal vão também alguns elementos (12 pessoas) do séquito papal.

17.10 - Em Fátima, no heliporto, a receber Bento XVI vão estar o bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, a Governadora Civil de Santarém, Sónia Sanfona, o Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Paulo Fonseca, o Presidente da Junta de Freguesia de Fátima, Natálio Reis, e autoridades militares.
Após a saudação far-se-á uma fotografia com os pilotos dos helicópteros
Dirige-se (juntamente com D. António Marto e o secretário particular de Bento XVI), em “Papamóvel”, para o Santuário.

A viagem faz-se no seguinte itinerário: Estádio Municipal (Eira da Pedra),Estrada de Minde, Rotunda Sul, Avenida D. José Alves Correia da Silva; entrada no Recinto junto à Igreja Santíssima Trindade.

17.30 - Na Capelinha das Aparições estará o Reitor do Santuário, Pe. Virgílio Antunes, para saudar Bento XVI.
O acolhimento musical é feito pelo Coro Infantil do Santuário de Fátima, o “Schola Cantorum Pastorinhos de Fátima”, entoando o Hino da Visita, “Bem-vindo, Santo Padre”.
Segue-se uma oração de Bento XVI (primeiro em silêncio e depois em voz alta), na qual faz uma referência a João Paulo II e à protecção de Nossa Senhora de Fátima na tarde de 13 de Maio de 1981, quando sofreu o atentado na Praça de São Pedro, em Roma.

O Papa faz depois a oferta da Rosa de Ouro ao Santuário, após o que parte de “Papamóvel” para a Igreja da Santíssima Trindade onde se paramentará para a celebração das Vésperas.

18.00 - Esta cerimónia, que vai contar com cerca de 5.000 sacerdotes e seminaristas, começa com uma saudação de D. António Francisco Santos, bispo de Aveiro e Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios.
O Papa faz aqui o primeiro dos três discursos previstos para Fátima.
Terminada a oração conclusiva de Vésperas, segue-se um momento de silêncio para a adoração e oração pessoal.
Bento XVI volta a tomar lugar no “Papamóvel”, dirigindo-se para a Casa de Nossa Senhora do Carmo, onde fica alojado e toma as refeições.

21.30 - Depois do jantar, o Papa dirige-se, de novo no “Papamóvel”, para a esplanada do Santuário, onde inicia, pelas 21.30, a vigília com a oração do Terço.
O reitor do Santuário oferece a Bento XVI o rosário oficial do Santuário.
Bento XVI fará também uma meditação e após o Terço retira-se para a Casa de Nossa Senhora do Carmo.
Segue-se a Procissão de Velas e a Missa, presidida pelo cardeal Tarcisio Bertone.